DOUTORA DA IGREJA


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Eu sou pequena demais para subir a rude escada da perfeição, afirma Santa Teresinha. Ainda assim, queria ser uma grande santa, porque para ela, nos caminhos de Jesus Cristo não há meios-termos. Ela admirava os santos que cometerem loucuras em seu amor a Deus e media sensatamente a distância que a separava deles. Mas não se acobertou em sentimentos de inferioridade por não poder imitá-los e nem estacou humilhada comensurando a vastidão dos degraus.

Sem lastimar sua fraqueza, física e espiritualmente indisposta a exageros ascéticos, estava apenas começando a intuir que para ela deveria existir outra escada de santidade. Não poderia subir sozinha, mas Alguém a acudiria. Tentou ser uma poderosa águia que pousa nos altos montes e daí perscruta os vales. Sabia-se um pardalzinho ciscador, suficientemente ousado, entretanto, para encarar o Sol divino no intento de sentir nele todas as aspirações da águia. O pequeno pássaro de Deus carecia de asas mais fortes que a fizessem atingir as alturas da Montanha do Amor: as asas da Misericórdia do Pai. Voou com tal intrepidez, que se transformou numa águia de sabedoria.

A fraqueza se fez força em Teresinha. Essa lúcida mulher que um dia desistiu da rude escada da perfeição foi proclamada Doutora da Igreja pelo Papa João Paulo II, em Roma, no dia 19 de outubro de 1997. Nesse dia, o Papa disse, no momento da homilia:

Entre os 'Doutores da Igreja', Teresa do Menino Jesus e da Santa Face é a mais jovem, mas o seu ardente itinerário espiritual demonstra muita maturidade, e as intuições da fé expressas em seus escritos são tão vastas e profundas que a tornam digna de ser posta entre os grandes mestres espirituais.


Basílica de Lisieux

E na Carta Apostólica Divinis Amoris Scientia, ainda afirma o Papa: Teresa oferece uma síntese amadurecida da espiritualidade cristã. Ela une a teologia e a vida espiritual, exprime-se com vigor e autoridade, com grande capacidade de persuasão e de comunicação, como demonstram o acolhimento e a difusão da sua mensagem no Povo de Deus.

Tal proclamação pode escandalizar os eruditos, os adultos e os sábios deste mundo. Não aqueles que são enamorados da meninice evangélica da Santa Lisieux.

Sua sabedoria e inteligência colocados a serviço do anúncio da Palavra vêm transformando os corações, conduzindo gerações e gerações de pessoas no mundo inteiro à experiência do amor misericordioso de Deus, de forma simples, descomplicada. Meninos e meninas, pobres e desprezados, todos os que têm um coração de criança são homenageados nesse título que tanto demorou para ser conferido. Os pequenos se tornam Doutores.


João Paulo II, que proclamou Santa
Teresinha doutora da Igreja

Passados cem anos, a Doutora Teresinha tem uma Palavra forte e esclarecedora a nos dizer. Palavra profética de mulher missionária que nos faz retornar ao Evangelho. Acabaram os argumentos daqueles que tentavam escapar aos desafios da vida cristã e dos caminhos da santidade.

O Evangelho pode ser vivido por pequenos pássaros como nós. Teresinha, com seu ensinamento, nos mostra como isso pode acontecer. A menina, agora teóloga laureada, prova-nos que o Evangelho está vivo e pode pulsar em nós, em nossa vida. Ele existe também para nós, cristãos frágeis e atônitos ante a realidade que nos aflige neste final de milênio.

A Doutora nos faz descobrir que o Evangelho não é um compêndio de frases edificantes escritas para nos comover ou atemorizar. O Evangelho é uma pessoa concreta: Jesus de Nazaré! Uma vez apaixonados por Ele e atentos à lição de Teresinha, saberemos encontrar o melhor modo de segui-lo.

Santa Teresinha, a Doutora do Amor, guiai-nos nos caminhos do Evangelho!