Guido Marlière - Síntese Biográfica

GUIDO THOMAZ MARLIÈRE, nasceu em 03 de dezembro de 1767 em Jarnage, Província de Marche, França.

Filho de família monarquista, estudou Humanidades e Filosofia. Aos 18 anos entrou para o Exército Francês. Vencido na luta contra as forças revolucionárias, fugiu com os militares para a Alemanha integrando-se à Legião Realista do Conde de Mirabeau.

Fez parte do Regimento Auxiliar Britânico Montemart.

Vencido por Napoleão, seguiu com o regimento para a Inglaterra, sendo enviado pelos ingleses para Portugal para defender as terras lusitanas de possíveis invasões napoleônicas.

Foi porta-estandarte da Guarda Real de Polícia a Pé e a Cavalo, EM 1802.

Casou-se em Portugal com Maria Victória Rozierres, filha do Cel. da Artilharia da Costa, Luiz L'huylier de Rozierres, português descendente de franceses.

Ao contrário do que já se escreveu, Guido Marlière não veio para o Brasil em 1808, junto com a Família Real, e sim em 1807 na Corveta de João Marcos Vieira Araújo, para o Rio de Janeiro e depois para o Rio Grande do Sul, onde serviu no posto de Alferes da Cavalaria Ligeira, transferindo-se para o I Regimento de Cavalaria do Exército de Minas Gerais por Ordem Régia do Conde de Palma D. Francisco de Assis Mascarenhas com a graduação de Tenente-Capitão agregado do mesmo regimento.

Em 19 de julho do mesmo ano, o Capitão Guido Marlière, é preso em Vila Rica, como suspeito de ser um enviado de Napoleão Bonaparte.

Em 25 de agosto de 1812, por Carta de Sesmaria Guido Marlière, recebeu "meia légua de terras em quadra situada no caminho do Rio de Janeiro, na paragem chamada o Rio Novo do Pihá" (Piau), "passadas as terras do Rev. Vigário Miguel Antônio de Paiva, do Termo da Vila de Barbacena."

Em 1813, foi enviado para pacificar o Presídio de São João Batista (Visconde do Rio Branco), onde conseguiu apaziguar as tribos Cropós, Croatos e Puris, civilizando-os.

Em 1814, nomeado Diretor Geral dos Índios de São João Batista do Presídio, São Manoel do Pomba e aldeias anexas.

No mesmo ano, construiu o aldeamento de Rio Pardo (Argirita), quando conseguiu reunir e aldear 500 Puris.

Em seu relatório a D. João, em 13/11/1814, Marlière informa que "por ofício e de viva voz", incumbiu ao Padre Antônio Duarte, "Capelão da Aplicação de N. S. da Conceição do Rio Novo", para que cuidasse da "parte essencial da religião".

Em 1818, foi nomeado Inspetor dos Índios para as 2º e 3º Divisões de Abre Campo.

Em 1821 foi promovido a Major. Neste ano, assumiu o cargo de Venerável da Loja Maçônica "Mineiros Reunidos" de Vila Rica.

Em 1822, quando foi fundado o Grande Oriente do Brasil, Marlière pede filiação da "Oficina Mineira". A integração foi deferida em 31 de julho de 1822, como consta da Ata da Sessão Nº 8, sendo a primeira Loja Maçônica do interior a filiar-se ao GOB.

Marlière foi nomeado Primeiro Delegado do Grande Oriente do Brasil, na Província de Minas Gerais. Nesta época GOB, sob o comando de Gonçalves Ledo, preparava a Independência do Brasil.

Em 1823 foi promovido a Tenente Coronel do Regimento.

Em 1827 foi Comandante das Divisões do Rio Doce.

Assim "O Apóstolo das Selvas", continuou a abrir estradas, varando florestas virgens que cobriam estes solos, desde o Jequitinhonha, passando pela zona siderúrgica, a São Domingos do Prata, Abre Campo, Rio Pomba, todo o vale dos rios Doce e Jequitinhonha, indo atingir os rios Mucury e São Mateus, numa imensa região desconhecida e perigosa, pela presença de indígenas antropófagos.

Sua obra de civilizador atingiu centenas de grupos entre eles , os Puris, Cropós, Croatas, Nacnenuques, Malalis, Manhuaçus, Gracnuncs, Quejaurins, Maxacalis e outros.

Fundou numerosas povoações e colaborou para a formação de muitos municípios, todos resultantes de aldeamentos indígenas, destacando-se: Guidoval, Visconde do Rio Branco, Guiricema, Cataguases, São Geraldo, Muriaé, Miraí, Astolfo Dutra, Conselheiro Pena, Governador Valadares, Pocrane Tarumirim, Resplendor, São Domingos do Prata, Mesquita, Marlièria, Jaguaraçu, Jequitinhonha, Argirita e São João Nepomuceno, conforme consta da sua autobiografia.

Falava francês, alemão, inglês, português, tupi, tapuia e ouras línguas.

Sua obra civilizadora foi muito importante na pacificação e no aldeamento dos indígenas ferozes.

Graças às atitudes enérgicas de Marlière, no imenso território dos "Sertões Proibidos" do rio Doce até o rio Paraíba, do Sul do Espírito Santo e ao norte Fluminense, tornou-se possível que Minas Gerais voltasse a ser como no período áureo, a primeira economia nacional.

Voltou para sua Fazenda Guidowall, onde faleceu em 05 de junho de 1836, mas perante as lágrimas dos indígenas civilizados por ele.

(Fonte: - Correspondências, Documentos oficiais, biografia escrita por Basílio Furtado (Rev. Arquivo Público Mineiro Fasc. III e IV/905 - ano Fasc. I, II, III e IV/906) e informações da página da internet sobre a vida de Guido Marlière e o Município de Guidoval, e autobiografia de Guido Thomaz Marlière.)

Texto retirado de folheto anexo à Revista Chico Boticário - Ano I - Nº 1

 

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